EMPIRE: uma boa forma de se ver na televisão.

Esse texto foi originalmente publicado na minha timeline do Facebook.  Um pouco antes de eu terminar  de assistir a primeira temporada da série.  Resolvi publicar aqui no blog porque, conversando com a Letícia, concluímos que essa série merece muitas postagens. Muita propaganda. Merece ser vista e discutida.

Quando da divulgação e promoção da série “Sexo e as Negas”,  muitas mulheres negras protestaram quanto a reprodução de esteriótipos na produção da mesma.  O retrato da mulher negra representado na série, era uma caricatura que em nada contribuía para nossa auto-estima, empoderamento, visibilidade e valorização? Lembram que choveram críticas e que muitas pessoas não compreenderam qual era o problema vez que era uma série com protagonistas negras? Pois então,  vejam Empire.

Eu comecei a ver a série por recomendação da Fernanda, uma amiga que compartilha muito sobre ser mulher, ser negra, comigo. O ideal seria que todos os produtores de televisão brasileiros assistissem Empire.

A série, com elenco massivamente negro, retrata a história de uma família negra que sobreviveu as violências e aos não lugares que a sociedade destina para a negritude através da música. Lucious, interpretado brilhantemente pelo maravilhoso (depois eu descobri que o Terence não é tão maravilhoso assim, mas deixei a menção original)Terence Howard e Cookie ( de longe, a personagem feminina mais incrível da história, um banho de atuação da Taraji P. Henson) constroem um império da indústria fonográfica as custas da liberdade de Cookie, que fica presa 17 anos no lugar de Lucious, uma história que aquelas mulheres que acompanham a trajetória de outras mulheres negras conhece bem… a absoluta disposição, a privação de si mesma em detrimento da construção de algo maior, cujo o valor ultrapassa as suas próprias subjetividades e sobre o qual teremos que berrar muito para ter reconhecido como nosso. Esse império fica ameaçado com a descoberta que Lucious tem uma doença terminal e que em poucos anos irá morrer.  Daí se instaura uma disputa entre os 3 filhos do casal, Jamal, Andre e Hakeen pelo controle e poder da empresa. Cada um com seus talentos passa a disputar de forma feroz não só a empresa mas o reconhecimento do pai, que precisa ser disputado, diferente do amor da mãe e do reconhecimento de gratidão à mãe (outra história que a gente conhece bem), que precisa o tempo todo justificar suas ausências, o seu amor, seus erros.

O enredo da série traz para as telas os conflitos raciais norte-americanos atuais, tendo referências ao próprio Barack Obama como um traidor dos negros e a forma com a qual o hip-hop proporciona que a juventude negra libere suas angústias e suas raivas com o histórico de tolhimento de direitos através de palavras, que muitas vezes soam violentas aos ouvidos daqueles nunca tiveram que decidir entre matar e morrer.

Para além de tudo isso, a série conta com a produção musical de Timbland, responsável pelo repertório e pelas músicas que também vão contando a história dos Lyon e mostrando a alma de cada personagem. É uma experiência de entretenimento, de reflexão política e de representatividade necessária e muito satisfatória, mesmo.

Já aviso que é impossível não se apaixonar pelo Jamal e não ser fã passional da Cookie.

O vídeo que acompanha é um aperitivo da trama dos 3 irmãos, Hakeen, Jamal (me possua, prfvr) e André.

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