Subindo no salto: Beyoncé é feminismo!

bey

Hoje é o aniversário dela. Ela, que há tantos anos vem falando de como é ser mulher em uma sociedade capitalista, machista, patriarcal. Ela, que faz dos meus dias e do de muitas pessoas dias lindamente musicados e onde viver a própria sexualidade de um modo pleno não precisa ser motivo de vergonha, de constrangimento. Beyoncé, mulher, negra, veio lá do Texas, um dos estados mais declaradamente racistas dos EUA, para se autointitular e ser aceita por fãs do mundo todo como rainha. Queen Bey sobe no palco do VMA e mostra a que veio: é feminista. Já é razão suficiente para se não amá-la, respeitá-la por essa atitude. Não é pouca coisa.

Há quem ache que é oportunismo. Há ainda os que questionam o feminismo de Beyoncé, por inúmeros motivos. Um deles baseado na frase polêmica da música Drunk in love, na qual Jay-Z, seu companheiro, faria apologia à violência doméstica, banalizando as violências sofridas por Tina Turner no passado. Li muitas matérias falando sobre o fato, uma repercussão enorme. Também fiquei perturbada. Porém, ao contrário do que muita gente afirma, Beyoncé vem dando shows de feminismo durante toda a sua carreira, vem se destacando por suas performances sensuais, mas sobretudo pelo empoderamento de milhares de mulheres ao redor do mundo.

Flawless. Ela diz às mulheres: vocês acordam perfeitas, saem perfeitas. E além disso, ela compreende que para ganhar o mundo é preciso estudar, ler mais sobre o feminismo e ter humildade. Tanto que ao colocar Chimamanda Ngozi Adichie, outra mulher, negra, palestrando em 2012 a intitulada We Should all be Feminists (Todos nós deveríamos ser feministas) em seu repertório dá notoriedade para a causa feminista e para outra mulher além dela.

Girls, sempre repete em suas músicas e apresentações. Um chamado para que as mulheres do globo se levantem, saibam que não estão sozinhas, mesmo quando estão sofrendo. Aliás, sobre Drunk in love, creio que diminuí-la a um trecho de música é fazer com que o machismo nosso de cada dia continue operando silenciamentos, para que aceitemos as imposições, as opressões que vem nos agredindo cotidianamente.

Andei estudando e escutando as músicas de Beyoncé desde o grupo Destiny’s Child e posso afirmar que já naquele tempo em que era uma menina de 16 anos já se posicionava a favor das mulheres, a partir das suas experiências como mulher, amiga, namorada, etc. e hoje como mãe de uma menina. Seu posicionamento já não era e não é passivo, mas o de quem vislumbra espaço para si e consequentemente para quem ela nem conhece. Sim, ela enriqueceu, ela se deu e continua se dando muito bem, obrigada. Não só porque tem voz bonita, nem porque sabe rebolar em cima de um salto alto, o que, na minha opinião, já é algo digno de admiração,  mesmo tendo em vista que o salto alto é associado a feminilização da mulher no sentido padronizador da palavra, objeto de fetichismo por parte de muito macho escroto por aí. Mas nos pés dessa monstra magnífica, ganha outro significado (ao menos para mim!!!) que é o de que podemos subir e descer do salto quando nos convier, independente do que dizem de nós, mulheres ou travestis. É porque ela tem talento, tem tino comercial, tem uma beleza que está não só corpo, mas também está na imagem, nas palavras que grita em plenos pulmões e vozeirão afinado. Mesmo que muita gente a odeie, no momento em que mostra para o mundo que podemos ser sensuais, sexuais, inteligentes, ganhar dinheiro, correr o mundo, ela conquista espaço importante para o feminismo.

Ela é desde um ideal capitalista? É. Mas porque só reparam nisso quando se trata de uma mulher? Vivemos o capitalismo, a má distribuição de renda. Muitas pessoas morrem de fome enquanto a Beyoncé canta. Mas, também é preciso lembrar, nem só de pão é que se vive. Vivemos de amor, de ódio, de arte, de música, de cultura, de empoderamento. Essa é a imagem que ela me passa. De uma mistura de tudo isso, mas também de que com amor e também com ódio, podemos construir um mundo onde as mulheres sejam mais livres, independentes, donas de seus corpos, de suas contas bancárias, de suas vidas.

Parabéns a Beyoncé por seu senso de oportunidade muito bem-vindo. Continue a nos ensinar que não podemos desistir de nossos sonhos, porque somos sobreviventes em uma guerra que dura séculos.

 

Happy B’day!

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